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20 abril 2009

Anotações

"A palavra é um som interior" nos diz Kandinsky quando
nos envolvemos com uma representação abstrata de um objeto,
ele provoca uma vibração no coração, na pele, no corpo que
capta sua existência.
Assim a palavra
árvore: verde, amarela, vermelha, vai nos revelar
a árvore que sentimos em nosso
íntimo, materializada na emoção de sentir
no que chamamos de ressonância.
Portanto:
O som puro do real
tornou-se abstrato.
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foto e montagem: JU Gioli

15 abril 2009

Prazer

Prazer

O que é o prazer?
Um valor...
Aquilo que se escuta no corpo...
Um vislumbrar mudo da fala...
Uma energia, de quando tudo que faço tem um sentido...
Prazer... uma enorme e difícil palavra, ou será que precisamos de palavras
Para descrever o prazer.
Se é uma leve substância química poderosa, que opera nas mais sutis alterações dos
Nossos sentidos:
Se faz ouvir um som que encanta,
Se desperta nos olhos brilhos que ardem outros sentidos.
Como explicar o prazer?
Se não posso classificá-lo, porque seria desmerecer todo um
Universo particular.
Ele existe:- provamos e o saboreamos entre todas as emoções. Num perfume, na música, no olhar, nas cores, no saber e no não saber.
Nestas imensas dimensões do sentir.
Não posso tocá-lo, mas ele é a minha verdade, a minha essência, o meu
Eros que me move e adiciono o gosto colorido ao meu viver.
Sei lá em que canto do meu corpo ele responde. Surpreendo-me com suas possibilidades, ele é muito complicado (como um dossiê arqueológico de pouco acesso) onde só eu sei onde está.
À vezes, ele é tão original que se tece e canta só de silêncio.
É a condição da minha sobrevivência, se não sentir prazer, morreria. A cada dia um pouco.
Ausência de prazer impõe lados obscuros de obrigações e desencantos.
O prazer busca ar, o imaginário, e de morar nele sem data marcada, e saborear cada vez que está presente, isso sim é ter prazer.
Vamos descobrindo que o prazer é indissolúvel do tempo, ou se agüenta ou se vai, mas
Viver sem ele, quase impossível, a alma fica doente, pálida. Mudamos com ele, alguns ficam para sempre, outros vamos conquistando e aprimorando.
Prazer..... até dói nos ossos, na pele. Revigora as entranhas em seu gosto mais puro.
Sabemos sentir o prazer, como seres ancestrais e primitivos, como sabemos quando a primavera chega.
Prazer é tudo.


JU Gioli
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Postagem para o Tértulia Virtual
click aqui e participe
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14 abril 2009

O Artista Perfeito

O Artista Perfeito

Por Clarice Lispector:

“Não me lembro bem se é em Lês donnés immediates de La conscience que Bérgson fala do grande artista que seria aquele que tivesse, não só um, mas todos os sentidos libertos do utilitarismo. O pintor tem mais ou menos liberto o sentido da visão, o músico da audição.
Mas aquele que estivesse completamente livre de soluções convencionais e
utilitárias veria o mundo, ou melhor,
teria o mundo de um modo como jamais artista nenhum o teve.
Quer dizer, totalmente e na sua verdadeira realidade.
Isso poderia levantar uma hipótese. Suponhamos que se pudesse educar, ou não educar, uma criança, tomando como base a determinação de conservar-lhes os sentidos alertas e puros. Que se não lhe dessem dados, mas que os seus dados fossem apenas os imediatos. Que ela não se habituasse. (...) Suponhamos então que essa criança se tornasse artista e fosse artista.
O primeiro problema surge: seria ela artista pelo simples fato dessa educação? É de crer que não, arte não é pureza, é purificação, arte não é liberdade, é libertação.

Essa criança seria artista do momento em que descobrisse que há um símbolo
utilitário na coisa pura que nos é dada. Ela faria, no entanto, arte se seguisse o caminho inverso ao dos artistas que não passam por essa impossível educação: ela unificaria as coisas do mundo não pelo seu lado de maravilhosa gratuidade mas pelo seu lado de utilidade maravilhosa. Ela se libertaria. Se pintasse, é provável que chegasse à seguinte fórmula explicativa da natureza: pintaria um homem comendo o céu. Nós, os utilitários, ainda conseguimos manter o céu fora de nosso alcance. Apesar de Chagall.
Mas se homem, esse único, não fosse artista – não sentisse a necessidade de transformar as coisas para lhes dar uma realidade maior – não sentisse enfim necessidade de Arte, então quando ele falasse nos espantaria. Ele diria as coisas com a pureza de quem viu que o rei está nu. Nós os consultaríamos como cegos e surdos que querem ver e ouvir.
Teríamos um profeta, não do futuro, mas do presente. Não teríamos um artista. Teríamos um inocente. E arte, imagino, não é inocência, é tornar-se inocente.
Talvez seja por isso que as exposições de desenhos de crianças, por mais belas, não são propriamente exposições de arte. E é por isso que se as crianças pintam como Picasso, talvez seja mais justo louvar Picasso que as crianças. A criança é inocente, Picasso tornou-se inocente.


Texto extraído do livro de Clarice Lispector: “ A Descoberta do Mundo”
Editora Rocco, pág. 228.
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colagem: JU Gioli
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02 abril 2009

Ecological Day




Pertencer



Encontro uma mesa para tomar meu café, e de algum modo este sentimento de pertencer surgiu, inicialmente aqui, olhando todos com a mesma necessidade que eu. Abri meu computador, hoje leve e fácil como uma pluma. Tira-se da bolsa, como um espelhinho mágico para corrigir a maquiagem. Bom parar um pouco à tarde, o ritmo que a vida cotidiana nos impõe, me faz sentir como uma espécie de água-viva , em uma panela de pressão, e parar é como sentir o vento e a aragem de uma linda tarde de verão.

Hoje, somos o que clicamos, vamos deixando nossos rastros deste “pertencer” pendurados nestes percursos virtuais. Nestes últimos anos, incorporei esse jeito de fazer amigos, uma espécie de nova comunidade, como um clube, uma associação, neste entregar-se na solidão de cada um. Conhecer seu mundos em espaços virtuais, . Sou feliz de pertencer a essa nova maneira de fazer amigos. E, como todo amigo, precisamos alimentar a amizade, dar os devidos elogios, ou puxões no tapete,, sorrir e chorar. Aprendi muita coisa... boas leituras, piadas engraçadas. Mundos diversos. Conto com eles, e eles contam comigo, nada mais feliz que uma troca construtiva.

Pertencer carrega essa possibilidade, como se fosse me dando a medida do que eu entrego e recebo. Então pertencer é uma forma de viver nesta conexão. Experimentei-o com a sede de quem está no deserto, até descobrir onde a água é mais abundante.

Desculpem minhas divagações enquanto espero o meu café, que demora. O local está mesmo lotado.

Gostaria de ser livre. Mas ainda não consegui. Está é a verdade. Este fato não me preocupa. Apenas me entristece. E entristece-me porque, não rara vezes, sinto a solidão rondar o mundo, e compilamos uma dificuldade com outra. Somos seres consumistas deste pertencer. E o consumo, ora desenfreado, ora controlado, devora-me a cada instante.
Sei apreciar o silêncio. Porque? Porque nele encontro minhas diferenças. E, desta mesa onde escrevo, ouço a tv, super moderna, imagem estonteante, como sua forma de me entristecer, nesses mistérios negros do cotidiano. Comparo a um espelho do céu, que me agita ainda mais as águas deste oceano, e assim sinto-me incompleta na minha perene esperança.

Onde fui agora, não sei.... resta-me tomar o café, e desejar.que a memória erosiva não me apague e me torne indiferente a tantas desgraças deste mundo.


JU Gioli









Postagem para o Ecological day


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