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21 junho 2009

Modos de ver a Arte (Parte II)

Modos de Ver a Arte

Parte II

Por Sergio Fingermann






“As pinturas entram, por meio de diversos tipos de impressão e reprodução em todos os lugares.
A unicidade da obra se partiu.
Não estão mais somente nas igrejas, castelos, museus.
Chegam às nossas casas também.
As pinturas são vistas em contextos diferentes.
O significado das pinturas diversifica-se.
Fragmenta-se.


Para melhor compreendermos, poderíamos exemplificar assim:
Temos uma reprodução da Monalisa, de autoria de Leonardo da Vinci.
O quadro veio até nós graças à reprodução mecânica.
Está em nossa casa.
Se pudéssemos nos deslocar até Paris, no Museu do Louvre, para ver aquele
Original e assim descobrir o que falta à nossa reprodução, certamente nos
Colocaríamos algumas questões:

Falta qualidade (quais?) na reprodução em relação ao original?
O que nos impressiona frente ao original?
Onde está seu significado?
Será que o significado se deslocou?
Será que aquilo que a pintura da Monalisa diz deslocou-se para o que ela é?
Onde está a coisa da pintura?


Desde o Renascimento, por um longo processo, vimos surgir profissionais periféricos aos artistas e seus trabalhos.
Numa lenta evolução, elaboraram-se figuras como historiadores de arte, críticos, marchands, colecionadores, jornalistas, especuladores, curadores, etc ...; Formam-se também conselhos e sociedades amigas das instituições que guardam e escrevem a memória da arte.
Reivindicam para si participação importante e poder na cena artística.

A arte contemporânea é mal aprendida pelo público porque ele está perdido em meio aos diferentes tipos de atividades artísticas.
Com os instrumentos de que dispõe, formados na modernidade, aqueles pressupostos que tinha adquirido sobre a arte ( tais como: beleza, gosto, forma, etc.) já não dão conta da fruição da experiência que a arte contemporânea propõe.
Aquele público que foi educado, que foi instruído ( já há tanto tempo) nos valores culturais da modernidade, encontra-se desamparado.
Faltam-lhe critérios para exercer o juízo crítico em relação ao que lhe apresenta como arte.
Observa-se que, mesmo excluído da compreensão dos fenômenos artísticos esse público mostra fidelidade aos eventos.
A indústria cultural tem funcionado bem.

Na nossa sociedade há um culto da arte.
Ela é a religião do homem de hoje.
Em nossa sociedade, a proximidade com a arte define a posição cultural e associa-se a um princípio de desenvolvimento.
O público é incitado a considerar a arte como elemento indispensável na vida contemporânea.

Nossa sociedade tornou-se uma sociedade cultural.
O imperativo agora é ser “criativo” e “produzir arte”

Visitando as grandes mostras de arte contemporânea, museus, galerias, exposições temporárias, observa-se uma homogeneização de tendências, reduplicando modelos, repetindo artistas.

Os centro de arte perderam o respeito ao pluralismo das tendências, às diversidades de expressão.
O caráter das mostras não aponta para individualismos, mas, o seu oposto, um conformismo geral e amalgamado.

Nosso receio é de termos perdido toda medida, todo julgamento e todos os valores.
Será uma decadência?

Será que precisamos utilizar um modelo diferente do que usamos na modernidade, ( período que vai do Impressionismo às Vanguardas) para captar a realidade contemporânea?

Que ventos respiramos no presente?
Será que a experiência artística se constrói somente em sua própria autoridade?
Se for isso, ela está muito próxima da fé religiosa e pronta a servir às ditaduras políticas.

Há um vazio de conteúdos.
Confunde-se experiência com realização.
Uma arte que, algumas vezes, parece desprezar a cultura.
Uma arte que, algumas vezes, transforma o anti-humanismo em programa de ação.
Uma arte que, algumas vezes, responde ao vazio com o vazio.

Quais são as responsabilidades dos artistas?


Sergio Fingermann é artista plástico. Realizou recentemente exposição na Pinacoteca do Estado de São Paulo e no museu Nacional de Artes Plásticas. É autor dos livros: Fragmentos de um dia extenso (2001) e Elogio ao silêncio (2007), São Paulo: Editora Bei.
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18 junho 2009

Modos de ver

Modos de ver

sonia a. mascaro disse...
Gostei muito desta aquarela, Ju!Bjs.
17 de Junho de 2009 06:55

Selena Sartorelo disse...
Ju! Minha leitura é sempre interior, não sei se é isso que o artista pede ou também é isso que ele procura. Ou nada disso que ele quer. Apenas fazer, criar e apresentar. Mas falar da tua técnica,traços e cores, das tuas composições, uma leitura acadêmica é entendida, e acho que só poder ser feita por alguém que entenda realmente do assunto. Mas eu não. Eu! sou apaixonada pelos sentidos..tantos os dados, como os aprendidos, alguns outros eliminados ou resgatados e tantos sempre sabidos.Gosto da imagem quem gosta de mim, mesmo que não da minha melhor parte. Compôs arte, letra e pensamento, o som é sempre constante e cabe em todos esses momentos que ilustra e poema com tanto cuidado...e quando mudar sei, será outro ouvir...sempre é.Parei diante da tua tela e pensei..como alguém pode simplesmente não ver tudo o que aí tem? ou será que sou eu que enxergo mais do que foi dito e fico a inventar..não me prestaria a isso, odeio impressionar e principalmente equivocar meu limite e minha compreensão. Mas se falo esse montão é fato, em mim, para mim, é claro esse sentir intenso, ás vezes triste ..mas é amplo e sensível..Poxa!!! Se errei avisa...só estou observando mais nada além disso. beijos,Selena
17 de Junho de 2009 08:21

~pi disse...
memórias e labirintos[ por onde entro > saio,beijo~

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Réplica: reflexões sobre os comentários expostos:

"A vida do olhar possui seus próprios caminhos. Nós insistimos. O olhar se volta. Persiste no ver, atrai, desloca e se vai. Tomamos consciência de outro olhar, e um novo percurso neste espelho é refletido. Saímos para o ar de outras palavras, elas ressoam sobre a página branca. Elas ocupam um espaço.
Li em algum lugar que cada palavra é uma pintura abstrata.
Uma superfície.
Um volume.

E esta parte visível das idéias se insinuam, como raízes das emoções que afloram, vêem por baixo, o olhar vê: visuais e lúcidos o cheiro fresco da tinta.

Emoções que vêem e se vê nos sentidos, deste que não explicamos, o sentir atravessa, transcende o ver ( pura metafísica)
.

O olhar é uma produção desta arqueologia de experiências, aqui entrelaçadas por universos, pelo que vemos em nosso caminho. Cada comunicado traz esse percurso, a expressão deste sentir.


JU Gioli
anotações e reflexões sobre os comentários das postagens.

16 junho 2009

Paletas de cores

Obrigado por todos os comentários, dos tertulianos novos
e mais amigos, que me fizeram sentir em casa.
JU gioli

15 junho 2009

Estar em casa

Estar em um lugar que me sinta em casa é para mim uma sensação, que brota de um espaço/tempo que me concebe a verdade.
Sensações que se unem nesse modo de abrir o meu eu, neste refúgio meio escuro e incerto onde posso ser. Se mudei, tornei-me outra, deixei de ser a mesma, mas continuo procurando, portanto, posso estar em qualquer lugar.
Não existe um lugar preciso. Sou um ser vivo, que cresce e muda com o tempo, um ser contraditório, sempre plena de erros.
As coisas acontecem. A vida sempre aleatória nos impõe lugares. Colhendo no passado o ontem ,e o que somos hoje para uma possibilidade plausível do amanhã.
E, essa cidade é imensa no que conta para ser minha casa: - o desejo de ter um lugar de memória, de se alimentar com os meus passos, de livrar- me do medo, e de prover segurança e bem estar, e se assim possível, instalar-me no mundo na condição de humano.
Humano, que não seja nunca o território da exclusão e retraimento, mas o da inserção do outro nesta instável e crescente geografia, pois viver só seria muito triste.

E, apesar das minhas lacunas, dos meus limites e debilidades, que me inspiram a me conhecer melhor, e para não prometer nada do que não possa cumprir, inclino-me, por instinto a me proteger, com esforço e sacrifício a viver melhor, nunca a mesma no mesmo lugar, mas transfigurada pelas experiências.

Sou ambiciosa, um dos pecados capitais desta alma incerta e viajante. E, em face desta imprevisibilidade, invento um lugar para viver.~
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texto e foto
JU gioli
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12 junho 2009

Modos de ver a Arte

A Pintura em Tempos de Urgência: Alguns traços da cena Artística


Por: Sergio Fingermann

Onde está o artista?
Onde está a arte?
Que ventos respiramos no presente?

Desde o Renascimento, até o fim da modernidade, não houve alterações muito significativas na maneira como o público via a arte.
Podemos mesmo afirmar que durante séculos, viu-se a pintura de forma bastante parecida.
Quando a imagem era apresentada como obra de arte, o modo como as pessoas olhavam para ela era condicionado por uma série de pressupostos adquiridos sobre e com a própria arte:

Beleza
Gosto,
Forma,
Civilização.

A técnica da perspectiva tinha organizado o campo visual.
O espectador era o centro do mundo.
O olhar do observador era uma espécie de farol, um feixe luminoso.
O mundo visível era organizado pela técnica da perspectiva.
Eram variados os gêneros de pintura: temas religiosos, retratos, naturezas-mortas, paisagens, temas históricos.
Isso durou séculos.
Alterações profundas começaram a ser observadas a partir da invenção da fotografia e do cinema.
Modificou-se, a partir daí, como os homens podiam ver todas as coisas.
O cinema mostrou que não existe só um lugar, um centro, de onde se vê todas as coisas.
A pintura foi atingida nesse momento.
Modificou-se.
O visível passou a significar algo muito diferente.
Isso trouxe novos entendimentos para a pintura.

No Impressionismo, aquilo que era visível já não surgia pela forma.
O visível tornou-se embaçado, fugidio.
No cubismo, o visível tornou-se a totalidade das visões possíveis.
Diversos pontos de vistas superpostos.
A máquina possibilitou o surgimento de aparências momentâneas.
Fixou instantes.
Fomos esclarecidos de que a noção de tempo é inseparável de experiência do visível.
A pintura, que até então tinha a singularidade de pertencer a um determinado lugar ou espaço e que nunca podia ser vista em dois locais ao mesmo tempo, modifica-se e fragmenta-se em muitos significados, através de todas as possibilidades de reprodução.
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texto extraído da Revista Arte e Psicanálise

05 junho 2009

Tertúlia Virtual

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Tema deste mês: "Que lugar te faz sentir em casa"
Explore suas possibilidades e transmita para
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