@ Dis-cursos





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30 setembro 2009

Branco




Branco



Outro mundo! O Outro mundo! É um dos velhos sonhos dos artistas procurar-lhe o acesso. Mundo que reside neste desconhecido, para além dos limites das nossas percepções e conhecimento comum. Buscar esta força e expressão, um grande desafio.


Alguns encontram-no nas sombras, outros em planos de uma brancura sinuosa, distendida no seu tempo, a fim de mostrar sua alma, onde a luz traça trêmula seu existir.


Malevitch, nos aponta para essa ausência da ausência, na máxima simplicidade estética, atingindo os extremos da arte abstrata.



Kazimir Malevitch ( 1878-1935, Ucrânia/ Rússia)


20 setembro 2009

@ Minutas 6


As sombras podem embalar
o olhar que nada procura
mas ama e conhece
a leveza deste
 não lugar
deste não
tempo  no
oceano
 deste
não
pensar



foto e minutas
JU gioli

17 setembro 2009

Biblioteca



Dostoievski




“Notas do Subterrâneo”
É simplesmente imperdoável não ler este genial romance. Não acredito que as pessoas percam tempo em ler mediocridades dos “mais vendidos da semana” por conveniência de marketing, e esqueçam deste clássico, fundamental para entender a alma humana. As contradições e angústias estudadas e formuladas, à respeito da condição humana é memorável em todos os escritos de Dostoievski, e “Notas do Subterrâneo” não foge à regra.
O narrador nos leva a um mundo subterrâneo de oscilações, entre a grandeza e a miséria, coragem e covardia. Pólos de certezas e de instabilidades emocionais, presentes e instaladas em nossa vida.
O Penso, logo duvido ou Penso, logo desisto, são tratados nesta escrita, onde o sofrimento e as incertezas que nos movem como fonte de consciência e diálogo interior se alimentam.
Soube em pesquisas, que Nietzsche considerava “Notas do Subterrâneo”, o maior romance existencial já escrito, e dá para entender o porquê: - são as mesmas as investigações deste filósofo , refletidas em seus tratados: quais são as motivações humanas?. O homem é este ser ondulante entre o desejo e a razão? Porquê? A moral ou a ética, ou será o julgamento subjetivo das emoções que decidem ? Quem prevalece na escolha: a vontade ou a razão?
São desses dissabores e dúvidas que este romance se constrói, e não ler é perder a chance de se questionar, de se rever nas tramas existenciais do personagem, de olhar para as oscilações de humor, as contradições do amor e ódio. Nossas instabilidades e dúbios desejos.
O personagem que se debate entre o patético e o cruel na sociedade, onde a convivência de interesses impõe medidas, às vezes contrárias ao desejo humano. Tema tão atual e contemporâneo, que parece ter saído do jornal de hoje, em minutos, além do tédio, das angústias, e, principalmente, das coisas profundas das quais sentimos ou desejamos, e não sabemos elaborar.
Foi uma leitura de viagem, e amei ter levado na bagagem.
JU Gioli

15 setembro 2009

Blog Gincana





Os escolhidos do @ Discursos 
para a Gincana são: 

Monoglota: escolha primorozas de fotos surreais. Adoro olhar. Andam esquecidas.









Novitá: pelas imagens de variedades que ela proporciona. Imperdível. Faço sempre o meu
mergulho. Novitá é sempre novidade.









.




Não lugar: Um blog inteligente, direto, gosto de ler .









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08 setembro 2009

@ Minutas 5


Sobre o Tempo
Alguma coisa que se procura
além das neblinas e vapores.
Sempre uma escrita
das matérias.
Sempre o tempo,
com suas levezas e pesos,
volúveis, impermanentes.
Sempre o tempo
que se faz poeta.



foto e poema: JU gioli

07 setembro 2009

Biblioteca

“Nada” de Carmen Laforet.


Escrito em 1944, quando a autora tinha 23 anos, quando de mudança para a casa da Avó em Barcelona, para iniciar um curso de letras na universidade local. Relata essa vivência com a família na casa da rua Aribau, na época da Guerra civil Espanhola, numa cidade e família decadente, e cheias de dificuldades.
Desta vivência com os familiares descobre intrigas e personalidades sombrias. Ela, cheia de expectativas, confronta-se com a realidade deste casarão, sombrio e malcuidado, com uma tia severa, uma empregada com plenos poderes e dois tios que se odeiam, e cujo principal ponto de discórdia, gira em torno de uma mulher. Descreve suas amizades e os interesses e decepções amorosos.
Escrita com muita sensibilidade, para nos fazer ouvir as indagações de uma jovem e seus sonhos, diante destas realidades diversas. Os conflitos psicológicos que se mesclam quando há o confronto com os medos e decisões, Os medos e angústias de toda s as mudanças, suas ansiosas expectativas diante de um mundo novo.
O título do livro “ Nada”, foi uma escolha sensível para nos mostrar que esse “nada” que ela nos fala, está na memória, na recuperação dos sentimentos profundos de reflexão de sua passagem, as suas transições, e entre ganhos e perdas, o que é que ficam destas viagens.
Há passagens poéticas deslumbrantes: “ um entardecer nos arredores da catedral, ouvi o lento cair de uma badaladas que tornavam a cidade mais antiga...” impressões poéticas que nos comovem com seu olhar, e reforçam seu estado interior de emoção.


A paisagem opressiva e triste desta jovem adolescente reforçam seu ser, impedindo-a de ser feliz e aumentar suas angústias quanto ao seus relacionamentos, mas no intimo, guardava um espírito forte e tenaz, com suas perspectivas de futuro e mudanças, que a levaram a partir e desejar novas alegrias, novas estabilidades contra a apatia, a amargura, a moral decadente e fria de uma família e de uma época opressiva.


Ela descreve no momento de sua partida esta interioridade sentida:
“Desci as escadas, devagar. Sentia uma viva emoção. Recordava a terrível esperança, o desejo de vida com que as subiria da primeira vez. Partia agora sem ter conhecido nada do que confusamente esperava: a vida em sua plenitude, a alegria, o interesse profundo, o amor. Da casa da rua Aribau não levava nada”.
Ao menos era o que ela pensou na época, e ao meu ver é este o balanço que fazemos ao partir, com nossas expectativas: - o que afinal trazemos na mala quando retornamos, quais mudanças e expectativas que acrescentamos a nossa jornada.


Uma leitura adorável deste romance realista existencial, que acrescentou muito as minhas férias, demonstrando que o tempo é poeta e traz suas memórias.
Tudo neste livro me comoveu. Tive a oportunidade de ver surgir uma poeta desconhecida, numa leitura que me agradou em muitos aspectos. Sua alegria formal, sua tristeza que não pede consolo, sua inteligência, sua doçura e sensibilidade em descrever uma parte de sua vida, mesclando o cotidiano e suas expectativas diante de uma família e de um histórico importante na Espanha durante a guerra civil Espanhola.
Adorei ter levado na mala.

04 setembro 2009

Pé de Moça

Informações Turísticas e Históricas  para o Pé de Moça
Caminhando  em Portugal

Passagens


Passando por Portugal
num intervalo relativamente curto
visitei as belas praias do norte
apenas quis ter os pés nestas belas
paisagens, nas audácias dos ventos,
no calor do verão.

@@@@@@ Blogs

Anotações diárias