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01 agosto 2012

22 julho 2012

Volare

A

Volare

Penso che un sogno così non ritorni mai più
mi dipingevo le mani e la faccia di blu
poi d\'improvviso venivo dal vento rapito
e incominciavo a volare nel cielo infinito

Volare oh, oh
cantare oh, oh
nel blu dipinto di blu
felice di stare lassù
e volavo, volavo felice più in alto del sole
ed ancora più su
mentre il mondo pian piano spariva lontano laggiù
una musica dolce suonava soltanto per me

Volare oh, oh
cantare oh, oh
nel blu dipinto di blu
felice di stare lassù
ma tutti i sogni nell\'alba svaniscon perché
quando tramonta la luna li porta con sé
ma io continuo a sognare negli occhi tuoi belli
che sono blu come un cielo trapunto di stelle

Volare oh, oh
cantare oh, oh
nel blu degli occhi tuoi blu
felice di stare quaggiù
e continuo a volare felice più in alto del sole
ed ancora più su
mentre il mondo pian piano scompare negli occhi tuoi blu
la tua voce è una musica dolce che suona per me

Volare oh, oh
cantare oh, oh
nel blu degli occhi tuoi blu
felice di stare quaggiù
nel blu degli occhi tuoi blu
felice di stare quaggiù
con te


.

Volare

As janelas

01 maio 2012

Vírginia Woolf ao fim da tarde









"Assim como num dia de Verão as ondas se juntam, se levantam e caem; e o mundo inteiro parece estar a dizer «é só isto» cada vez com mais veemência, até que o próprio coração no interior do corpo deitado ao sol na praia diz também: é só isto. Não tornes a ter medo, diz o coração"

Mrs. Dalloway é o primeiro dos romances de Virginia Woolf que subverte a narrativa tradicional: tudo se passa apenas num dia, e por esta  referência ao tempo em que a ação decorre,  rompe com as convenções do romance tradicional, ao estabelecer as bases de uma nova estética da ficção, ao evitar a linearidade típica da prosa, inserindo o romance no movimento que, retrospectivamente, seria caracterizado como modernismo literário e cujo início pode ser situado na primeira década do século XX. Temos na Grã-Bretanha, além de Virginia, os nomes de James Joyce, na ficção, e T.S. Elliot, na poesia.

Tudo se passa num dia de junho de 1923, entre as 10 horas da manhã e a meia-noite. A I Grande Guerra terminou, o verão surge em Londres e Clarissa, prepara-se para dar uma das suas festas. Mas quando a noite se aproxima, o aparecimento de Peter Walsh, o seu primeiro amor regressado da Índia, vai atiçar o passado, trazendo-lhe à memória os sonhos de juventude e a querela que muitos anos antes a precipitou num casamento sem brilho. Uma mulher que amava a vida, mas que se sentia oprimida por uma sensação de perda emocional, de aperto da sua existência. De súbito, Clarissa tem consciência da força da vida.
 Woolf expõe assim diferentes modos de sentir, evocando, mais que o espírito do tempo, o espírito da própria vida no olhar de cada personagem. Mas a singularidade da obra vem dessa espécie de sósia de Mrs. Dalloway, que é Septimus Warren Smith, enlouquecendo com o trauma da guerra e com quem Clarissa parece partilhar uma mesma consciência (assim, a escritora aproveita para acusar suas próprias angústias; uma espécie de auto-retrato). Septimus com as suas alucinações e esquizofrenia, delirando com um amigo que morreu em combate, é um importante contraponto a Clarissa: uma chaga aberta, a sua dor exposta ao mundo, o ressentimento, a sua ferida, a sua intimidade; ela esconde o seu silêncio, cobre-o com uma capa de falsa confiança, com festas. Ela lamenta o passado; encontra-se incerta acerca do presente; e teme o futuro, o assustadoramente pouco familiar, e iminente, processo de envelhecer.
 Mas a obra também sugere que tal como as personagens, as pessoas tendem a adaptar-se às circunstâncias sociais, mesmo que isso não os faça feliz. Clarissa pretende que os seus convidados saiam de sua casa com a sensação de que viver vale a pena…ou não, e assim temos nossas descobertas.

Domingo ao fim da tarde , vejo Mrs Dalloway saltar das páginas do livro para uma sessão especial no A Última festa, (filme de 1997). Adaptação do romance pela actriz Eileen Atkins, Mrs. Dalloway reaparece com a irrepreensível técnica dramática de Vanessa Redgrave na interpretação da personagem principal. Pareceu-me que o filme, apesar de fazer certas escolhas ao nível do discurso, não é uma adaptação radical da obra da escritora. Embora ao utilizar certos recursos e introduzir certas mudanças, o filme permaneça fiel ao “espírito” do romance e consegue atualizar seus significados.


Tal como em Ulisses de James Joyce, Mrs Dalloway decorre num único dia, que inicia às dez da manhã e prolonga-se até as três da madrugada seguinte, com uma marcação contínua e pontual aos toques do Big Ben. É um dia na vida da mulher de um desinteressante membro da câmara dos Comuns, uma encantadora senhora de cinquenta e dois anos, mas que como tantas outras, sobrecarregada por uma série inesgotável de tarefas. Podia passar-se em qualquer lugar, em 2012), uma mulher  (ou um homem) preocupados com o que não tiveram coragem de fazer, com o que ficou para trás. Arrependimento? Falta de coragem? Falta de força anímica para ainda alterar o futuro? Clarissa Dalloway pode ser uma ou muitas mulheres, ou  qualquer mulher que se cruze connosco. Foi ao fim da tarde, “quando as luzes de apagavam e acendia o coração”, que Clarissa, agora em tela (embora com anos de atraso [meu]), me convidou para a sua festa.



A festa de Mrs Dalloway é como todas as festas, um verdadeiro microcosmo social, onde as intrigas emocionais e existenciais se revelam.

Virginia Woolf esmiúça magistralmente a subtileza das reações e das angústias dos seres humanos artificialmente confinados dentro dos limites impostos por uma ocasião social. Drama romântico e melancólico, o livro e o filme oferecem-nos um estudo existencial sobre os efeitos inevitáveis – e o preço a pagar –pelas opções de vida.

10 abril 2012

Alberto Giacometti










Há 15 dias



Há quinze dias tento fazer paisagens. Passo todos os dias na frente do mesmo jardim, das mesmas árvores e do mesmo fundo. Vi essa paisagem pela primeira vez pela manhã, o sol estava brilhando, as árvores cobertas de flores, e no fundo, bem ao longe, montanhas cobertas de neve. Era isso que eu queria pintar, mas desde então o céu está menos claro, muitas vezes chove, não vejo mais as montanhas há quinze dias as flores, as brancas e lilases, murcharam, e continuo minhas paisagens até a madrugada.

Cada dia, vejo um pouco mais que não estou vendo nada e não sei de que forma alguma como, e por meio de quê, eu poderia colocar na tela algo daquilo que vejo. Qualquer esperança de restituir a visão do primeiro dia desaparece, mas isso é-me  bastante indiferente. Essa paisagem devia ser apenas um começo, é isso que eu tenho o tempo inteiro sob os olhos na frente da porta do meu atelier, vi muitas outras nos arredores que queria fazer  também , uma eu até comecei um dia. Pensei que poderia fazer toda uma série de paisagens, da manhã, da noite, algumas com grandes conjuntos, outras com árvores, e outras ainda com o rio.

Mas eu não penso  mais nisso, aquelas que estão na frente da porta são me suficientes por meses, e ainda assim eu seria obrigado a me limitar, primeiro a uma só parte dessa paisagem, e em seguida provavelmente a uma só árvore, e no final, a apenas um galho. E quer eu faça a paisagem ou flores num vaso, ou um vaso com flores ressecadas, ou somente o vaso, ou outros objetos que estão na mesa, isso não tem mais nenhuma importância. Ou uma figura no cômodo com os objetos que o cercam, e voltarei bem rápido ao mesmo assunto que estou tentando pintar há anos, e as paisagens seriam uma vez mais adiadas para mais tarde, ou, em todo caso, não vejo quando poderia ir mais longe do que aquela que vejo pela minha janela ou na frente de minha porta.

Mas vejo todas aquelas que gostaria de ter pintado, em torno de meu atelier em Paris, e depois o terreno baldio de Malaloff, e os arredores de Paris, e de Dieppe e do cabo Ferrat, mas também toda a paragem para Digne. E aqui logo depois da fronteira italiana.

Muitas vezes, à noite, vejo todas as reproduções de paisagens que encontro nos livros que tenho aqui (é uma escolha bastante limitada), para saber quais me chamam a atenção, ou me interessam mais. Comparo-as e copio-as. Há aqui algumas reproduções dos impressionistas, dos holandeses, flamengos primitivos, egípcios, um álbum de paisagens chinesas, e é mais ou menos tudo.

Fica me a memória, nesta noite, sobretudo as de Cézanne, as chinesas, as de Ruysdael  e as de Van Eyck e as egípcias, o que provavelmente ficaria na memória de mais ou menos todo mundo, pelo menos de quase todos o pintores.

Eu me restrinjo, para acabar, a dois detalhes de Van Eyck, a um relevo egípicio e a duas ou três paisagens chinesas e as de Ruysdael. São essas que me parecem as que mais se assemelham, sobretudo as de Van Eyck e o relevo egípcio, ou também uma cascata entre as rochas chinesas. É quase incômodo falar de paisagem chinesas hoje, fala-se muito delas, admira-se muito sua atmosfera, o espaço, a onda, elas parecem sempre de referências duras e precisas como uma pedra, são essas três obras que me chamam a atenção e que mais me interessam. Eu as copio e me parece que elas têm alguma coisa, ou mesmo muitas coisas em comum.

São essas as paisagens em pinturas que me vêm primeiramente à memória.



{...}



Giacometti, Alberto. Écrits. Paris: Hermann Éditeurs, 2007, PP.375-377.

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