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15 junho 2009

Estar em casa

Estar em um lugar que me sinta em casa é para mim uma sensação, que brota de um espaço/tempo que me concebe a verdade.
Sensações que se unem nesse modo de abrir o meu eu, neste refúgio meio escuro e incerto onde posso ser. Se mudei, tornei-me outra, deixei de ser a mesma, mas continuo procurando, portanto, posso estar em qualquer lugar.
Não existe um lugar preciso. Sou um ser vivo, que cresce e muda com o tempo, um ser contraditório, sempre plena de erros.
As coisas acontecem. A vida sempre aleatória nos impõe lugares. Colhendo no passado o ontem ,e o que somos hoje para uma possibilidade plausível do amanhã.
E, essa cidade é imensa no que conta para ser minha casa: - o desejo de ter um lugar de memória, de se alimentar com os meus passos, de livrar- me do medo, e de prover segurança e bem estar, e se assim possível, instalar-me no mundo na condição de humano.
Humano, que não seja nunca o território da exclusão e retraimento, mas o da inserção do outro nesta instável e crescente geografia, pois viver só seria muito triste.

E, apesar das minhas lacunas, dos meus limites e debilidades, que me inspiram a me conhecer melhor, e para não prometer nada do que não possa cumprir, inclino-me, por instinto a me proteger, com esforço e sacrifício a viver melhor, nunca a mesma no mesmo lugar, mas transfigurada pelas experiências.

Sou ambiciosa, um dos pecados capitais desta alma incerta e viajante. E, em face desta imprevisibilidade, invento um lugar para viver.~
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texto e foto
JU gioli
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15 abril 2009

Prazer

Prazer

O que é o prazer?
Um valor...
Aquilo que se escuta no corpo...
Um vislumbrar mudo da fala...
Uma energia, de quando tudo que faço tem um sentido...
Prazer... uma enorme e difícil palavra, ou será que precisamos de palavras
Para descrever o prazer.
Se é uma leve substância química poderosa, que opera nas mais sutis alterações dos
Nossos sentidos:
Se faz ouvir um som que encanta,
Se desperta nos olhos brilhos que ardem outros sentidos.
Como explicar o prazer?
Se não posso classificá-lo, porque seria desmerecer todo um
Universo particular.
Ele existe:- provamos e o saboreamos entre todas as emoções. Num perfume, na música, no olhar, nas cores, no saber e no não saber.
Nestas imensas dimensões do sentir.
Não posso tocá-lo, mas ele é a minha verdade, a minha essência, o meu
Eros que me move e adiciono o gosto colorido ao meu viver.
Sei lá em que canto do meu corpo ele responde. Surpreendo-me com suas possibilidades, ele é muito complicado (como um dossiê arqueológico de pouco acesso) onde só eu sei onde está.
À vezes, ele é tão original que se tece e canta só de silêncio.
É a condição da minha sobrevivência, se não sentir prazer, morreria. A cada dia um pouco.
Ausência de prazer impõe lados obscuros de obrigações e desencantos.
O prazer busca ar, o imaginário, e de morar nele sem data marcada, e saborear cada vez que está presente, isso sim é ter prazer.
Vamos descobrindo que o prazer é indissolúvel do tempo, ou se agüenta ou se vai, mas
Viver sem ele, quase impossível, a alma fica doente, pálida. Mudamos com ele, alguns ficam para sempre, outros vamos conquistando e aprimorando.
Prazer..... até dói nos ossos, na pele. Revigora as entranhas em seu gosto mais puro.
Sabemos sentir o prazer, como seres ancestrais e primitivos, como sabemos quando a primavera chega.
Prazer é tudo.


JU Gioli
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13 março 2009

O Desejo

O Desejo

O Desejo sempre foi um universo oscilante, na idéia de expansão e contração.
O homem é um cosmos, e como um singular organismo vivo, respira e expira; oscila- expande e contrai, vai à frente ou volta atrás em seus desejos.
Atuar um desejo é circunscrever o corpo e a mente nesta corda bamba entre o real e o imaginário.
Nossa vida carrega o encontro marcado com o desejo e a realidade, essa linha tênue e tão poderosa em nossa vida de equilibrista. Atravessamos uma porta e ninguém deseja quebrar o nariz. Nosso problema, bem se vê, é não se machucar.
Ser equilibrista, exige deslizar cada pé bem devagar nesta corda bamba. Há porém, tombos e tombos. Se o pé no arame falseia, por nela se apoiar demais, ou por não acreditar que vai chegar, cambaleamos, e lá se foi a possibilidade de realizar o desejo.
Outra solução que tentamos é fincar o pé na realidade, e isso faz com que enredamo-nos por um lado apenas concreto e tão pleno de regras da razão, e confesso quase ninguém chega do outro lado da corda.

Desejar é criar originalidade, ficar pendurado até o pescoço, quase caindo, mas arrastando a corda com um violino nos ombros ,e sonhar sua música, enquanto atravessa essa difícil corda bamba... e nesta festa instaurar uma deliciosa transgressão. E o segredo... bem... o segredo é deixar o corpo mais leve .

Quando se vive como ser desejante, vamos tirando linhas defensivas da nossa frente, para garantir a permanência na superfície da fé ( o acreditar em si), e assim.... num piscar de olhos, milhas e milhas de distância se tornam tão próximas. Diluim-se os medos, e demarcamos um trajeto.
Você só é o seu desejo quando atravessou sua corda bamba, sua verdade de alma, com um pé à frente do outro, no seu ritmo ,e ao começar sua viagem, vai-se descobrindo forças de onde não parece estar ou ter. Mas acredite o desejo dá vida às coisas.

JU Gioli
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