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02 fevereiro 2011

Citações

 
 
 
 
"Vivo entre formas luminosas e vagas que não são ainda a escuridão"
In Borges ( Elogio das sombras)
 
obra: Mark Rothko, sem título
(branco, negros, cinzas sobre marron), 1963 

23 janeiro 2011

05 janeiro 2011

Citações

 
 
"A vida é o que fazemos dela.
As viagens são os viajantes.
O que vemos é o que vemos,
senão o que somos." (1)
 
 
Primeira citação
 do ano, no meu caderno em branco, primeira folha onde escrevo.
Não gosto de fazer listas.
Quando faço, desisto.
Deixo para amanhã, ou para
depois de amanhã, e
quando olho
o ano já passou.
 
Prefiro os planos diários,
humildes, transitórios,
com a possibilidade deste
fazer ´no prazer,
sem obrigação. (2)
 
 
 
 
 (1)citação: Fernando Pessoa ( 1888-1935)
in " Livro do Desassossego"
(2) - @ discursos
Ilustração: terracota, cerca de 300a.c.
fonte : arqueologia.

29 novembro 2010

Retratos

Começaram a passar as estações sobre aqueles cabelos brancos. Ele, com os seus olhos azuis olhava o mundo, na solidão das montanhas e vales, nunca parou se pensar e sonhar, a rever com seus gestos todas suas trajetórias. E lá estava ele, onde uma refeição era servida, onde se faziam-se as pausas e servia-se o pão.

Via suas mão, enquanto gesticulava e contava suas histórias, e eram grandes, gastas, nodosas, como as de um homem que arou sua terra desde menino. A pele e o corpo vincado com a ternura de seu imenso coração.

Desvencilhava essa sua outra e bela natureza, está que tentava esconder, porque dizia tudo com o sofrimento de alma, carregado de incertezas, pronto a ver tudo com o seu olhar de quem dá tudo de si, e ficava como se não tivesse feito nada, descontente, desiludido.

O sol pairava sobre o seu lamento, e da janela onde andarilhas andorinhas vagavam, corriam e se aquietavam, nesse fragor de uma manha que renasce, cheirando a café e onde viajamos como se o sonho continuasse.

Ele ao pé da longa escadaria, entre velhas casas; onde as montanhas em volta marcaram seu retrato, com as marcas do tempo nos telhados , ele descia e se aprumava, lento, sem pressa para se encostar na parede onde ele disse ter assentado cada tijolo; ascendia o seu cachimbo e ficava.

Não se via ninguém , somente as pombas arrulhando o tempo e o espaço.

E, lá estava ele sentado na sua cadeira, nesta posição legítima de ter vivido o seu tempo, na vasta atmosfera dos seus pensamentos.

Olhei novamente do alto da janela onde o sol batia sobre aqueles cabelos brancos, e onde ele está vivo agora, bem pertinho, e onde habita o apito do trem e o cheiro do alecrim, feliz de quem pode reencontrar o fio da memória na sua vasta poesia de viver, onde agora, neste silêncio eu escuto.





Ao meu pai, falecido dia 25 de novembro de 2010


Ju Gioli




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19 outubro 2010

Anotações






.Anotações

Leitura deste mês que me surpreendeu:     Paralelos e Paradoxos“.  Reflexões sobre Música e Sociedade” de Daniel Barenboim e Edward W. Said.

Há muitas questões neste ensaio: como a música pode ser um espelho para a vida, como favorecer interações entre sujeitos e seus elementos diversos, como fazer com que a música contribua para melhorar a sociedade.
São questões destes dois humanistas, um diálogo para refletir a sociedade.





“A música é um ar sonoro”: - São as primeiras anotações de Baremboim, afirmando que “Todo artista atua como intérprete, como executante”, o que me levou a pensar o mesmo quanto a pintura. Neste processo, interpretamos uma linguagem, um ar poético, um ar sonoro. Este são os percursos de uma pintura, revelamos uma memória visual nesta interpretação, sempre individual, sempre subjetiva. Mas é também, além de ser uma expressão individual deste eu interno, o “fazer artístico “se compões na expressão de outros eus. Todo artista tem um estilo pessoal, e uma filosofia “musical” própria, baseado na convicção de que paradoxos e extremos são necessários para alcançar um equilíbrio , para percorrer o caminho que leva do caos à ordem.
Os extremos são absolutamente necessários para se chegar à unidade, seja em qualquer forma de expressão artística, com sua dinâmica, tempo e oscilações necessárias. Uma pintura é uma escala musical, um processo de busca de acertar o tom na paleta, na construção do tema, na busca do silêncio e na interpretação da luz e da sombra.
Na pintura há a percepção e recepção deste silêncio inicial até o silêncio final, o respirar e expirar na transição das cores, o mesmo que se desenvolve na melodia, segundo o autor.
“O som é efêmero”, o som passa. Não está a disposição, e é esse um dos motivos por que é tão expressivo. Não dá para puxar a cortina e vê-lo de novo, como um quadro, o que permanece são os sentidos desta nuance, aquilo que no ver não se explica e apenas se sente.

Uma leitura orgânica, coerente, importante nesta atualidade para pensar o humano na sociedade, e qual de nossos "instrumentos" podemos utilizar para amenizar esse caos e desinteresse pela arte.

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Daniel Barenboin é um dos mais influentes figuras do mundo da música na atualidade. Exímio pianista que ainda dá recitais solo e pratica a música de câmara, regente dos mais prestigiados - atualmente é diretor da Orquestra Staatkskapelle Berlin - é ainda criador, ao lado do intelectual norte-americano de origem Palestina Edward Said, da Orquestra West- Eastern Divan, que congrega jovens músicos de Israel e de países árabes.

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Collage e ensaio:  JU Gioli

18 outubro 2010

As horas




As horas com suas reticências
de espanto
olhando apressadas luas









(....)




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24 setembro 2010

Formas e cores

Roy Lichtenstein
Pintor da Pop-Art
a linguagem das formas e cores
ao vivo no museu Reina  Sofia
Madri

14 agosto 2010

Viagens






Queridos amigos
vou andar por aí,
rever lugares
conhecer outros e
saborear novos ares.







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