@ Dis-cursos






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03 fevereiro 2010

02 fevereiro 2010

Cadernos de artistas


Urban Sketcher  é uma organização sem fins lucrativos dedicada a aumentar a narração artistíca, promovendo a sua prática e conexão ao mundo dos lugares onde vivem e viajam. Sempre uma forma interessante de deixar registro, de captar coisas novas. Eu o pratico sempre, seja na escrita ou nos desenhos. Há neste site trabalhos interessantes, de todas as nacionalidades, e recomendo.








Marina Grechanik
 veja mais em:



Urban Sketcher

abstrato 09

 
 
abstratros
 
JU Gioli
acrílica s/tela

30 janeiro 2010

Modos de Ver (9)


Já a alguns anos, entre os meses de junho a setembro, programo minha viagem para a Itália, sempre no verão; férias, família, calor, montanha e mar. Itens que não excluo da bagagem. O ano passado (2009), ainda sobrevoando a cidade de Roma, dei-me conta de uma imagem que nunca saiu da minha memória, uma pintura de Cézanne, que sempre me acompanha.
O horário de vôo de São Paulo favorece essa possibilidade de embarcar à noite e chegar maravilhosamente cedo, com o amanhecer nos telhados, na umidade dos campos, dos movimentos mínimos de uma manha preguiçosa. E como eu, depois de tanto tempo de vôo, ainda meio adormecida, espero o côncavo do sol na janela.
E, como uma cena surreal, vou saboreando esta cidade eterna, do alto da minha poltrona, como expectadora, onde cada detalhe meus olhos anotam, curiosos, no estranhamento de estarem num lugar tão diverso e, terem deixado para traz, o cotidiano urbano do transito, dos edifícios, e da ansiedade natural de toda viagem.
A sensação deste amanhecer neste lugar estrangeiro, com a luz tímida de energia a despontar ainda na janela do avião, sob o céu clareando, como página de um livro ainda não aberto, ou como uma folha de seda ainda sobre suas paisagens, é inebriante. Encosto minha cabeça na poltrona, assaltada de prazer. Vou pelo ar, nesta confusão de emoções e de horários. Mas quem se importa.
Neste meu idílio, tal pintura de Cézanne, pouco conhecida, intitulado os “Telhados” (1877), e que guardo com carinho no meu caderno de viagem, vai se revelando aos poucos, trazendo esse lugar e esta sensação universal de não ser lugar nenhum, ou todos ao mesmo tempo. A tela possui as formas dissolvidas pela luz, e estão transpostas para esta atmosfera flutuante, mágica e incerta, o que torna a localização uma incógnita, afinal poderia ser qualquer lugar .
E, nesta dimensão de sobrevoar uma cidade pela manhã, na modulação de uma atmosfera que envolve os objetos e as cores, converso com os meus pintores prediletos: Cézanne, naturalmente, assim como Vollard, e Pissarro, paisagistas de alma pura.
As imensas variações de ocres, terras de sienas, azuis e violetas se misturam nesta paisagem. O sol me espera pelas montanhas, até Nocera Umbra, região ao norte, onde vou permanecer algum tempo, sentindo a sintaxe deste pintores, respirando a escrita íngreme dos vales. Aceito o meu destino, em abandonar a poluída cidade, para essa aragem quente, debruçados desta atmosfera de girassóis e trigo, onde os telhados teceram o seu tempo.
Respiro, movo-me desta confusão do aeroporto, Na porta, posso atar minha malas e chegar ao gosto das cores púrpuras de Cézanne.






foto e texto:  Ju Gioli

17 janeiro 2010

@ Minutas


 
 
Não sei onde li esta frase " Tudo é lógico e necessário"
o equilíbrio que está em tudo,
como o prazer em  procurar no outro o espírito,
o intelecto, e não os defeitos.
Toda alma sensível sabe dos seus
infortúnios, neste labirinto
de tipos humanos: existimos
com as nossas diferenças.
E que bom poder compartilhar
nessa diversidade o  lógico
e o necessário.

23 dezembro 2009

Paletas de Cores


 
 
Feliz Natal
para todos os meus amigos
que fizeram do @ dis-cursos
em suas minutas, paletas,
fotos,  collagens, grafites,
 deixando seus comentários,
reflexões e continuidades
deste mundo
virtual.
 
 

21 dezembro 2009

Natal

O Natal se apropria de nós, como um lugar geográfico, onde depositamos nossas emoções e anseios: nossos conhecimentos e fidelidades.

E, como quem já o conhece, sabe descrever suas cores, gosto e sabor. Um lugar que se consuma, e, portanto, parece natural que cada um carregue consigo a sua própria e exclusiva bagagem, por saber interiormente o que nela contêm, ou poderá ser acrescentado.


Como todo lugar imaginário, ele possui um conteúdo, uma medida, de um peso imaterial, não avaliáveis a peso, mas que de alguma forma pesam na decisão de “ gostar” ou “não gostar” deste lugar.


Esse complexo mundo natalino, que nos detêm por alguns dias, e encarnam-se em compras, afazeres, comprimentos.


E, para que serve este bem imaterial que é o natal?
Gostaria de entender. Será que nos faz mais humanos, ou não serve para nada aquele super gasto e preocupação de presentes à ceia, para uma família que se sente apenas “obrigada” a inserir na sua agenda dia tão chato!!!!!
Acredito: - deve servir para alguma coisa, ora à saúde mental, ora a educação das crianças em acreditar neste “papai noel” que traz presentes.
Nossos investimentos passionais estão pendurados nestes gestos simbólicos de temperar a “ceia” e beber o vinho, porque como geografia de um lugar, trata-se de acrescentar sempre, e a cada ano, uma nova particularíssima fantasia, que elegemos como nossa, como um brinde de champanhe às nossas úteis ilusões tecidas ao longo deste tempo.
Faz entender, acredito eu, como a totalidade de nossas experiências, que se estruturam nestes gestos de participação, podem se manter neles como continuidade, deste lado mais humano que há em cada um de nós, acredite-se ou não em natal.

Se o natal mantêm em exercício, antes de tudo, a emoção como patrimônio coletivo, tornando-nos mais humanos e sensíveis, eu acredito neste lugar, onde se cria essa identidade comunitária, e continua a inspirar um “ marketing” próprio, com a cara de nossa modernidade ontologicamente diversa das que nossos pais acreditaram, e da qual estamos dispostos a transgredir e incluir novas idéias.
Construímos esse acesso flutuante da tradição, hospedando nossos sentimentos, de estatutos precisos, de diversas e novas espessuras, mas construímos e estamos espalhando por aí suas sementes.



Feliz Natal!!!!!!

texto: JU Gioli

10 dezembro 2009

@@@@@@ Blogs



Anotações diárias