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29 novembro 2010

Retratos

Começaram a passar as estações sobre aqueles cabelos brancos. Ele, com os seus olhos azuis olhava o mundo, na solidão das montanhas e vales, nunca parou se pensar e sonhar, a rever com seus gestos todas suas trajetórias. E lá estava ele, onde uma refeição era servida, onde se faziam-se as pausas e servia-se o pão.

Via suas mão, enquanto gesticulava e contava suas histórias, e eram grandes, gastas, nodosas, como as de um homem que arou sua terra desde menino. A pele e o corpo vincado com a ternura de seu imenso coração.

Desvencilhava essa sua outra e bela natureza, está que tentava esconder, porque dizia tudo com o sofrimento de alma, carregado de incertezas, pronto a ver tudo com o seu olhar de quem dá tudo de si, e ficava como se não tivesse feito nada, descontente, desiludido.

O sol pairava sobre o seu lamento, e da janela onde andarilhas andorinhas vagavam, corriam e se aquietavam, nesse fragor de uma manha que renasce, cheirando a café e onde viajamos como se o sonho continuasse.

Ele ao pé da longa escadaria, entre velhas casas; onde as montanhas em volta marcaram seu retrato, com as marcas do tempo nos telhados , ele descia e se aprumava, lento, sem pressa para se encostar na parede onde ele disse ter assentado cada tijolo; ascendia o seu cachimbo e ficava.

Não se via ninguém , somente as pombas arrulhando o tempo e o espaço.

E, lá estava ele sentado na sua cadeira, nesta posição legítima de ter vivido o seu tempo, na vasta atmosfera dos seus pensamentos.

Olhei novamente do alto da janela onde o sol batia sobre aqueles cabelos brancos, e onde ele está vivo agora, bem pertinho, e onde habita o apito do trem e o cheiro do alecrim, feliz de quem pode reencontrar o fio da memória na sua vasta poesia de viver, onde agora, neste silêncio eu escuto.





Ao meu pai, falecido dia 25 de novembro de 2010


Ju Gioli




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19 outubro 2010

Anotações






.Anotações

Leitura deste mês que me surpreendeu:     Paralelos e Paradoxos“.  Reflexões sobre Música e Sociedade” de Daniel Barenboim e Edward W. Said.

Há muitas questões neste ensaio: como a música pode ser um espelho para a vida, como favorecer interações entre sujeitos e seus elementos diversos, como fazer com que a música contribua para melhorar a sociedade.
São questões destes dois humanistas, um diálogo para refletir a sociedade.





“A música é um ar sonoro”: - São as primeiras anotações de Baremboim, afirmando que “Todo artista atua como intérprete, como executante”, o que me levou a pensar o mesmo quanto a pintura. Neste processo, interpretamos uma linguagem, um ar poético, um ar sonoro. Este são os percursos de uma pintura, revelamos uma memória visual nesta interpretação, sempre individual, sempre subjetiva. Mas é também, além de ser uma expressão individual deste eu interno, o “fazer artístico “se compões na expressão de outros eus. Todo artista tem um estilo pessoal, e uma filosofia “musical” própria, baseado na convicção de que paradoxos e extremos são necessários para alcançar um equilíbrio , para percorrer o caminho que leva do caos à ordem.
Os extremos são absolutamente necessários para se chegar à unidade, seja em qualquer forma de expressão artística, com sua dinâmica, tempo e oscilações necessárias. Uma pintura é uma escala musical, um processo de busca de acertar o tom na paleta, na construção do tema, na busca do silêncio e na interpretação da luz e da sombra.
Na pintura há a percepção e recepção deste silêncio inicial até o silêncio final, o respirar e expirar na transição das cores, o mesmo que se desenvolve na melodia, segundo o autor.
“O som é efêmero”, o som passa. Não está a disposição, e é esse um dos motivos por que é tão expressivo. Não dá para puxar a cortina e vê-lo de novo, como um quadro, o que permanece são os sentidos desta nuance, aquilo que no ver não se explica e apenas se sente.

Uma leitura orgânica, coerente, importante nesta atualidade para pensar o humano na sociedade, e qual de nossos "instrumentos" podemos utilizar para amenizar esse caos e desinteresse pela arte.

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Daniel Barenboin é um dos mais influentes figuras do mundo da música na atualidade. Exímio pianista que ainda dá recitais solo e pratica a música de câmara, regente dos mais prestigiados - atualmente é diretor da Orquestra Staatkskapelle Berlin - é ainda criador, ao lado do intelectual norte-americano de origem Palestina Edward Said, da Orquestra West- Eastern Divan, que congrega jovens músicos de Israel e de países árabes.

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Collage e ensaio:  JU Gioli

18 outubro 2010

24 setembro 2010

Formas e cores

Roy Lichtenstein
Pintor da Pop-Art
a linguagem das formas e cores
ao vivo no museu Reina  Sofia
Madri

14 agosto 2010

Viagens






Queridos amigos
vou andar por aí,
rever lugares
conhecer outros e
saborear novos ares.







08 junho 2010

Texturas





foto:   JU Gioli






foto:   Ju Gioli








 
 
 
 
Inspirações
 
 
 
acrílica s/tela
 
 
 
JU Gioli

14 abril 2010

Geometrias @3

 
 
 
 
 
"Somos todos retalhos de uma textura tão disforme e diversa que cada pedaço,
a cada momento,
faz o seu jogo.
E
existem tantas
diferenças entre nós
e
nós próprios
como entre
nós e
os
outros."
 
 
citação:  Michel de Montaigne. 

25 fevereiro 2010

Geometrias )10

Superfícies
relevos
ecos
traços de lua
jardins noctâmbulos
noites e dias
entre -laçados



foto e texto:  JU Gioli

@@@@@@ Blogs

Anotações diárias