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31 janeiro 2009

Ensaios












Ensaio sobre a Cegueira


Dirigido por Fernando Meirelles ( de “ O Jardineiro Fiel” e “ Cidade de Deus”, é baseado na obra do escritor português José Saramago. Conta a história de uma inédita epidemia de cegueira, inexplicável, que se abate sobre uma cidade não identificada. Tal “cegueira branca” – assim chamada, levam as pessoas infectadas a verem apenas uma superfície branca, leitosa.
Cegueira que espalha-se por entre as pessoas e, lentamente, pelo país. Todos acabam cegos e reduzidos a organizar suas necessidades básicas, ajudados por uma única mulher não infectada.

O ensaio é uma obra aberta a diversas interpretações, e aponto algumas que considero importante como tema de reflexão:

A surpresa e angústia repentina diante de uma cegueira, mostra a incapacidade humana de lidar com o perigo diante do desconhecido, que me fez lembrar os textos de Michel Foucault ( 1926-84), filósofo francês que, entre outras coisas, estudou a relação do homem com a loucura e a prisão. No filme isto se evidencia no confinamento, que gerou um estado de anarquia, de caos absoluto. Onde as pessoas não tem nada a obedecer além do instinto de sobrevivência.

Outra leitura, seria à disputa do poder, presença marcante em qualquer organização. Ela nasce de um princípio básico: o domínio do outro, pelo medo, pela ameaça, ou pela simples organização de idéias. Qualquer grupo que se forma, há um líder, e o filme nos mostra esse dois pólos divergentes: o organizador e o destruidor.

Portanto, o filme não é sobre cegos, mas da metáfora sobre a cegueira para falar da omissão, da solidariedade, e dos pressupostos éticos de todo ser humano, que na falta deles, geram monstros.

A fotografia é belíssima, e reforça toda a carga dramática do medo e do abandono gerada por essa epidemia. Simulando ao meu ver a própria cegueira, abusando do brilho intenso, luminoso e de cores claras, brancas. E esse recurso, ao meu ver, dá todo o tom do filme para provocar realmente uma reflexão, onde o expectador entra no mesmo estado de desorientação e desconforto experimentado pelos personagens, e são guiados pela excelente atuação de Juliana Moore, em sua própria transformação psicológica durante a seqüência do filme.

Como conclusão :penso que a vida real se dá em meio a este equilíbrio instável e cambiante, entre o ver e o não ver, entre o vício e a virtude , sempre a nos levar a reconhecer que as sombras existem, que precisamos reconhecer a maldade humana e sua fragilidade, que não somos bonzinhos e que precisamos reconhecer nossos males.


JU Gioli











t
texto: JU gioli
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29 janeiro 2009

O Trabalho



“Estou sempre entre duas correntes de pensamento: primeiro, as dificuldades materiais, que me obrigam a andar de uma lado para outro para ganhar a vida; segundo, o estudo da cor. Vivo sempre com a esperança de fazer uma descoberta nesse campo, expressar os sentimentos de dois amantes pelo casamento de duas cores complementares, sua combinação e sua oposição, as misteriosas vibrações de tons análogos. Expressar o pensamento que está por trás de um semblante através da radiância de um tom brilhante contra um fundo sombrio. Expressar a esperança através de uma estrela, o anseio de uma alma através do fulgor de um poente.”

Vincente Van Gogh


Quero descrever aqui um pouco do que se sente ao pintar, algumas das sensações físicas e espirituais. Cada arte traz suas próprias sensações. Assim como vemos Van Gogh lidar com a cor, o brilho, a vibração, e todo o seu sentimento no seu trabalho. Eu acho que é a integração de todas as nossas fontes: a inspiração, nossa musa secreta, o prazer, a dedicação, e principalmente o esforço total entre a mente e o corpo ´que nos direciona.

Esse impulso de energia que nos alimenta, essa vibração que nos faz agir. O ato de criar, de pôr a mão na massa, é para mim inseparável do prazer. Não há separação entre o esforço espiritual do esforço físico e psicológico, eles andam juntos e se transformam em ação.
Texto : JU Gioli

27 janeiro 2009

Paletas de cores

foto: JU Gioli
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Anexos no caderno


VERSO CONTROVERSO


Em homenagem a Tristan Corbiére

Sou exímio pintor
que pinta sem traço
e sem cor

Cantor
que sonhou ser poeta
para esculpir um desenho
com muito engenho.

Ator do mundo,
dançarino mudo
que toca o sino e o desatino
do silêncio.

Artista, sim,
com certo ego,
mas não egoísta.

Com a virtude
de ser rude
e saudável
como um enfermo.

Enfim,
um homem sem termo.

André Setti


Andre Setti, poeta, leiam seus poemas aqui no blog Cultuar



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21 janeiro 2009

Poesia Virtual



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colagem e video: JU Gioli

Dicionário ilustrado

Procure qual a definição desta imagem
e comente.
vamos ver se você é bom em dicionários!!!
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ilustração tirada de: Marcelo Zocchio e Everton Ballardin in
Dicionário Ilustrado.

18 janeiro 2009

Networds

Dicas:


Recebi por e-mail essas dicas para o ano, confesso que tenho um certo receio de frases prontas, sempre acabo esquecendo a metade delas. Mas estas me chamaram a atenção:


*Transforme seu medo em cuidado e atenção.

*Vale a pena correr riscos, é o único modo de crescer.

*Mestre é aquele que sabe aprender.

*O que não digo em palavras aparece no meu rosto ou no tom da minha voz.

*Toda segurança está na semelhança.

*Todo risco está na diferença.

* A vida só se transforma quando surge pressões inevitáveis.

* Quem não se envolve não se desenvolve.

* Devemos enloucrescer.

De certa forma, são coisas para se pensar, indo em direção aos prazeres e riscos que a tudo nos envolve. E acrescento essa que sempre escrevo no meu caderno de anotações:
“ Faça de novo, tente outra vez. Erre outra vez. Erre melhor”, frase de Samuel Beckett, e já que compreender é sempre traduzir, enloucrescer pode ser uma forma muito criativa de enfrentar o cotidiano.


grafite s/ papel
e colagem
texto
JU Gioli

16 janeiro 2009

Fogo


Como todo símbolo ele possui vários lados, e dentro de seus aspectos positivos, temos que lembrar do fogo criativo, que se revela na cor vermelha, na cor do fogo, no sol, no sangue. Cor encarnada, sedutora, que nos leva ao fogo das paixões: - a sexualidade interiorizada e exteriorizada em ato. Podemos falar do fogo que nos traz conhecimento intuitivo, outro aspecto positivo, sendo ainda o fogo aquele que purifica e regenera. Esse fogo central que no homem se opera na combustão e digestão, levando ao amadurecimento, a geração de sua obra.Fogo como condição de criação, uterino, vital, ligado a beleza e criatividade.Dentre os seus aspectos negativos, o fogo é destruidor, quando a sua função dominante é diabólica, porque contêm o subterrâneo, o demiurgo, no momento em que é fogo que queima sem consumir, excluindo a possibilidade de regeneração. Quando mal elaborado leva ao aniquilamento das idéias, a depressão.Portanto, o fogo além de nos mostrar os seus elementos simbólicos e ritualísticos, presentes em todas as tradições, se reveste em nosso psiquismo com a sua força propulsora de ação , onde o fogo é filho do homem – imagem do ato sexual – tal como centro de iluminação, prazer e fecundação.Assim como o Sol, pelos seus raios, o fogo simboliza por suas chamas, a ação fecundante e iluminadora em nossa mente, gerando impulsos e direções, no que falamos de “ fogo que queima e consome” nossos pensamentos e atos. Fogo que ilumina, que sentimos com sua aura em nosso intelecto, com entusiasmo e desejo.

Texto e montagem para o Tertúlia Virtual
JU Gioli

12 janeiro 2009

Ano Nove

Ano Nove

Agora vou deter-me e ficar inteiramente alerta. Se esvaziar de mim mesma e esperar, ouvindo os rumores de um novo ano. Dessas coisas que criamos no fluxo e refluxo das coisas novas.
Nada mais há que fazer com aquelas coisas velhas de que não precisamos, desfazer é um ato de coragem. Ter o empenho dessa sensação do porvir, com o ato de respirar e renovar.... numa espécie de laboratório metafísico de mudanças. O ar se expande, multiplicam-se as vontades, e como todos, especializamo-nos em mil promessas.
E, como todos os inícios : imaginar, conceber, cismar, meditar, pensar e sonhar, dado nossas equações empíricas sobre o tempo, tanto quanto deglutimos, digerimos e assimilamos desta história que vivemos em tantos ensaios, convertendo toda sensação numa outra sensação, o que nos torna humanos e criativos, nesta infinita capacidade de abstrair do mundo o nosso sentido real de ser.

E, se relativo são os fatos, ficarei com a tendência de lançar sobre a realidade o equivalente poético da formúla E= mc (2) de Einstein, emitida na velocidade da luz, com a possibilidade de alimentar meus dias como toda energia ( sem muitos desperdícios) e com a sabedoria necessária para corrigir meus erros ( sem tantas gravidades). E ter menos pressa sobre as minhas coisas, já que o tempo é mesmo o tempo, onde tudo passa.

Meu outro grande desejo é conhecer a sutileza do silêncio, ou pelo menos eliminar os ruídos que não me dizem nada, e me agarrar de volta as minhas intuições primeiras.
Não sei se disso tudo, sobre o que desejo para este ano, mas vagamente sinto que sempre faltará algo, e prefiro seguir adiante, como quem ainda não conhece a estrada, e onde só posso começar a entender o quanto de prazer me reserva em viver o sol deste ano novo, leve como uma pluma.
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texto e imagem: JU gioli

Citações

"Todo prazer é um vício, porque buscar o prazer
é o que todos fazem na vida,
e
o único vício negro
é
fazer
o que toda a gente faz"
citação: ( Bernardo Soares, livro do Desassossego,
Assírio e Alvim, Lisboa, 1998, pg 293)
colagem: JU Gioli

Paletas # 16

paletas de revistas : JU Gioli

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