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19 outubro 2010

Anotações






.Anotações

Leitura deste mês que me surpreendeu:     Paralelos e Paradoxos“.  Reflexões sobre Música e Sociedade” de Daniel Barenboim e Edward W. Said.

Há muitas questões neste ensaio: como a música pode ser um espelho para a vida, como favorecer interações entre sujeitos e seus elementos diversos, como fazer com que a música contribua para melhorar a sociedade.
São questões destes dois humanistas, um diálogo para refletir a sociedade.





“A música é um ar sonoro”: - São as primeiras anotações de Baremboim, afirmando que “Todo artista atua como intérprete, como executante”, o que me levou a pensar o mesmo quanto a pintura. Neste processo, interpretamos uma linguagem, um ar poético, um ar sonoro. Este são os percursos de uma pintura, revelamos uma memória visual nesta interpretação, sempre individual, sempre subjetiva. Mas é também, além de ser uma expressão individual deste eu interno, o “fazer artístico “se compões na expressão de outros eus. Todo artista tem um estilo pessoal, e uma filosofia “musical” própria, baseado na convicção de que paradoxos e extremos são necessários para alcançar um equilíbrio , para percorrer o caminho que leva do caos à ordem.
Os extremos são absolutamente necessários para se chegar à unidade, seja em qualquer forma de expressão artística, com sua dinâmica, tempo e oscilações necessárias. Uma pintura é uma escala musical, um processo de busca de acertar o tom na paleta, na construção do tema, na busca do silêncio e na interpretação da luz e da sombra.
Na pintura há a percepção e recepção deste silêncio inicial até o silêncio final, o respirar e expirar na transição das cores, o mesmo que se desenvolve na melodia, segundo o autor.
“O som é efêmero”, o som passa. Não está a disposição, e é esse um dos motivos por que é tão expressivo. Não dá para puxar a cortina e vê-lo de novo, como um quadro, o que permanece são os sentidos desta nuance, aquilo que no ver não se explica e apenas se sente.

Uma leitura orgânica, coerente, importante nesta atualidade para pensar o humano na sociedade, e qual de nossos "instrumentos" podemos utilizar para amenizar esse caos e desinteresse pela arte.

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Daniel Barenboin é um dos mais influentes figuras do mundo da música na atualidade. Exímio pianista que ainda dá recitais solo e pratica a música de câmara, regente dos mais prestigiados - atualmente é diretor da Orquestra Staatkskapelle Berlin - é ainda criador, ao lado do intelectual norte-americano de origem Palestina Edward Said, da Orquestra West- Eastern Divan, que congrega jovens músicos de Israel e de países árabes.

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Collage e ensaio:  JU Gioli

2 comentários:

myra disse...

bom dia, querida amiga, o teu texto é realmente , nao somente verdadeiro, mas tao bem escrito! eu estou totalmente de acordo com voce1 e a imagem, adorei!
beijosssssss

Djabal disse...

O som é efêmero, paradoxalmente é eterno também. Quando ele se abriga dentro de nós, a cada vez que o escutamos o tempo desaparece. Aquele primeiro instante retorna, fresco e límpido.

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